5 erros que os corretores não querem ver na sua redação

Professoras de português listam erros de redação para evitar no Enem
- - Júlio Gomes/LeiaJáImagens/Arquivo

Não há dica melhor para quem busca tirar nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do que dedicar tempo para ler bastante e produzir seus próprios textos. Porém, além do contato constante com a escrita, é preciso alinhar diversos fatores na busca por uma redação que surpreenda a banca avaliadora.

O Inep determina cinco competências que servem como critérios para os corretores pontuarem a redação dos candidatos, são elas: domínio da escrita formal da língua portuguesa; compreender o tema e não fugir do que é proposto;  saber selecionar, relacionar, organizar e interpretar argumentos; conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado.

Para cumprir essas competências, o estudante precisa compreender que é preciso não só demonstrar conhecimento gramatical. Na hora de pontuar a prova, os corretores também observam se o participante sabe desenvolver argumentos bem esclarecidos, que demonstrem repertório linguístico e cultural na construção das ideias. 

Assim, além de treinar bastante a escrita de textos dissertativos-argumentativos e revisar as principais regras de português, é uma boa dica para o estudante ter em mente antes da prova, quais os erros responsáveis por enfraquecer a redação e se preparar o máximo possível para evitá-los.

Para ajudar nessa missão, o Vai Cair No Enem contou com a ajuda das professoras Ana Luíza, que elaborou a lista com os cinco erros que devem ser evitados, e Marcela Silva, que assistiu com uma explicação mais detalhada de cada um deles. 

Confira 5 erros que os corretores não querem ver na sua redação:

1. Gerundismo

Evite o uso de gerúndio no seu texto, pois ele gera, em alguns casos, ambiguidade, além de quebra do paralelismo. Ainda mais importante: na conclusão, seu uso pode comprometer o entendimento acerca de qual elemento da proposta de intervenção você quer trazer.

“O gerundismo é o uso excessivo de verbos no gerúndio e faz com que se configure um vício de linguagem no texto. Por ser uma forma nominal do verbo, não possui nenhuma flexão de tempo ou modo verbal, serve para dar a ideia de ação contínua, ou seja, a melhor forma de utilizar o gerúndio na redação é para expressar ação simultânea. “, explica a professora Marcela Silva. 

Exemplo:

“O Governo deveria estar tornando acessível aos indivíduos a utilização da internet.” (uso inadequado)

“O Governo deve tornar acessível aos indivíduos a utilização da internet.” (uso adequado sem cometer gerundismo)


2. Termos excessivamente técnicos:

Evite utilizar termos muito técnicos, pois o corretor percebe que eles não fazem parte do repertório vocabular do aluno.

“É normal que o estudante queira impressionar o corretor com palavras rebuscadas demais, mas esquecem que o mais importante está na precisão vocabular. E o que seria precisão vocabular? É a habilidade de utilizar palavras que tornem seu texto objetivo e direto. O estudante não precisa usar palavras bonitas e diferentes, é importante lembrar que o Enem é um exame para o ensino médio, os corretores não esperam que você tenha um vocabulário extremamente complexo com palavras rebuscadas.”, afirma Marcela. 

Veja um exemplo com conectivos:

Hodiernamente (rebuscado demais)

No contexto atual / Na contemporaneidade (precisão vocabular)


3. Domínio limitado das áreas do conhecimento e das estratégias argumentativas:

Procure não utilizar, durante o seu texto, somente repertórios de uma mesma área, como só filosóficos ou artísticos, busque alternar. Além disso, varie as estratégias argumentativas, como contra-argumentação, alusão histórica, citação, etc. Busque aquelas que melhor possa desenvolver. 

“Na competência 2, o Enem deixa bem claro que também analisará as várias áreas de conhecimento do candidato. Isso significa que, além de argumentar, você deverá utilizar repertório sociocultural diversificado. Então, você deve basear sua opinião em algum repertório, pode ser um filme, uma escola literária, uma alusão histórica, etc.", esclarece a professora de redação.

Marcela também fez questão de lembrar que não adianta trazer pensadores reconhecidos e ideias maravilhosas se elas estiverem desligadas do argumento. É fundamental contextualizá-las para, então, justificar a relação com seu texto.

Uma citação coringa para sua redação:

“O homem é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências” (John Locke, filósofo iluminista).

4. Repetição

Evite excesso de palavras no seu texto, seja conector ou qualquer outra. Busque usar cada palavra uma vez por parágrafo. Quanto aos conectores entre parágrafos e períodos, busque usar apenas uma vez no texto. Isso mostrará ao corretor que seu conhecimento lexical não é limitado.  

Veja a explicação da professora a respeito deste erro:

“A repetição excessiva no seu texto faz com que você falhe na coesão e, consequentemente, na coerência. Na coesão, você deve estabelecer a conexão entre os elementos textuais, criando um fluxo lógico e contínuo.  Na coerência, você deve estabelecer sentido e harmonia entre as partes do texto. Dessa forma, quando você repete demais algumas palavras, causa quebra de raciocínio temático do leitor. A melhor opção para amenizar essa repetição excessiva é utilizar sinônimos (palavras diferentes com sentidos similares), elipse (omissão de termos) e pronomes.”, explica a marcela.

Exemplo: “Os quadros de Frida Kahlo não tinham nenhum valor em sua época. Houve telas que serviam até para escorar objetos.” (Observe que a palavra “telas” serviu para se referir aos quadros)


5. Criação de leis na proposta de intervenção

A Constituição Brasileira prevê lei para tudo; o problema é a execução delas. Logo, o ideal é discutir meios para otimizar, não criar novas, já que nem as já criadas são efetivas.

“Está errado colocar a criação de leis como ação na proposta de intervenção? Não, mas deve ser articulado e detalhado. E quando está incorreto? Quando o estudante propõe a criação de uma lei que já existe, além de ser muito arriscado propor ideias, em uma área que não é de domínio do estudante. É mais interessante colocar como proposta a eficiência dos 3 poderes: legislativo, executivo e judiciário. Não esqueça de detalhar a proposta ao responder as 4 perguntas principais: Quem será o responsável? Qual será a ação? Como a ação será feita? Qual o objetivo”,  finaliza a professora Marcela Silva.

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