Entenda como os livros de Machado de Assis podem ajudar no Enem

Após viralizar na internet, as obras de Machado de Assis viraram assunto entre os jovens e, mesmo sem obrigatoriedade no Enem, podem ajudar na prova
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O autor brasileiro Machado de Assis se tornou um dos assuntos mais comentados na internet após um vídeo sobre sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cuba” viralizar. A publicação, que soma mais de 934 mil visualizações e 178 mil curtidas no TikTok, foi feita por uma escritora e influenciadora americana que faz conteúdo sobre literatura de todo o mundo.

Depois de tantos compartilhamentos, a tradução do livro “Memórias Póstumas de Brás Cuba” em inglês alcançou o topo de vendas na Amazon na categoria literatura caribenha e latino-americana. Com tanta divulgação, vem a dúvida: qual a importância dessa leitura? O Vai Cair No Enem conversou com professores de língua portuguesa, que afirmaram que os livros de Machado de Assis podem ajudar até no vestibular.

Mesmo que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não conte com nenhuma leitura obrigatória, é importante conhecer obras e ter uma boa compreensão textual. O docente Ricardo Prestes reforça que a leitura de Machado de Assis ou de outros clássicos da literatura ajuda o aluno a desenvolver a escrita, habilidade de argumentação e de redação.

“Machado de Assis, sem dúvida, é um dos principais nomes, se não o principal nome da literatura brasileira do século XIX. Ele é um autor que tem características muito marcantes nas obras e é um autor único na nossa literatura. Características essas como a ironia, como o tom nas obras, a linguagem, algumas rebuscadas e outras que de certa forma prendem o leitor (…) a leitura de Machado de Assis é importante, mesmo que não seja obrigatória para o Enem”, afirma o profissional.

Também professor de linguagens, Diogo Xavier compartilha do mesmo pensamento de Prestes. Xavier pontua que, mesmo não tendo obras indicadas no exame, é comum que trechos dos textos de Machado de Assis apareçam nas provas, principalmente em questões de interpretação. Por isso, conhecer o autor e suas obras pode ajudar a resolver questões.

“Conhecer quem é Machado de Assis, conhecer o estilo dele, as temáticas recorrentes, a postura dele em relação a alguns temas, vai ajudar na resolução das questões. Conhecendo, por exemplo, a ironia, conhecendo o estilo de narração em que se tem um narrador, geralmente personagem, muitas vezes intruso, tudo isso ajuda na resolução das questões. Não é obrigatório, mas vai dar um suporte maior de conhecimento na hora de fazer essas resoluções”, defende Diogo.

Outra vantagem do aluno é a possibilidade de utilizar o autor como repertório na redação do Enem. Isso porque o autor utiliza críticas e situações vivenciadas pelos personagens que podem servir de contexto para introdução da redação ou como argumento no desenvolvimento, a depender do tema. Por isso a leitura é tão importante.

Porém, iniciar um estudo para obras clássicas não é tão simples, ainda mais para estudantes de ensino médio. Xavier destaca que Machado de Assis utiliza de termos mais rebuscados, até mesmo pela mudança histórica e de linguagem até os anos atuais. Mesmo assim, os professores reuniram algumas dicas e indicações de livros para que o estudante possa se preparar e caprichar no repertório no momento do vestibular. Confira:

Quais livros mais importantes de Machado de Assis?

Diogo Xavier indica que os estudantes comecem por alguns contos do autor, como “Missa de Galo” ou “a A Cartomante”. Apesar de terem complexidade no vocabulário e nas referências, ainda são mais curtos e já apresentam qual o estilo do autor. Em “A Cartomante”, Xavier destaca que o conto “exala a ironia, exala referências, referências de outras obras, a filósofos, às vezes até a situação política do Brasil, então vale muito a pena ler Machado”.

“Claro que é indicado, para ter um conhecimento mais aprofundado dele, obras como Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, que são obras da fase realista de Machado. Mas os contos já estão de bom tamanho (…) Se for difícil arrumar tempo ou até conseguir realmente, pela dificuldade, ler os romances como Quincas Borba, Memória Póstumas ou Dom Casmurro, ainda assim a leitura dos contos, e pode-se procurar também crônicas dele, é igualmente interessante e acredito que produtiva”, finaliza o profissional.

Ricardo Prestes também divide algumas indicações. Assim como Diogo, os contos também são mencionados, e chamados por Prestes de contos ‘machadianos’. O destaque é para “O Alienista”, “Pai Contra Mãe”, “Missa de Galo” e “A Cartomante”. O gênero conto é mais denso, com temática importantes e apresenta poucos personagens, mas conta com um desfecho que impressiona o leitor, como um fim trágico ou não.

“Na obra ‘O Alienista’, por exemplo, é também o aspecto da loucura, onde o personagem, o Simão Bacamarte, ele constrói um hospício e aí ele prendia, no hospício, todas as pessoas que pensavam de forma contrária a dele. Então nós temos toda a questão da análise psicológica, da loucura aí. Então os contos machadianos também são bastante importantes”, explica Ricardo.

Para Prestes, as obras clássicas da fase realista também são essenciais para os estudantes, pois é a fase de destaque e com as obras mais famosas de Machado de Assis. O docente apresenta um pouco de cada um dos cinco livros escolhidos:

1. Memórias Póstumas de Brás Cubas: “Cuja obra é um defunto autor, ele relata todas as suas memórias de dentro do túmulo. Daí a sacada genial do autor, Machado de Assis, quando ele relata sobre todas essas questões relacionadas às memórias, a perspectiva devida do personagem, que é o Brás Cubas. Esse livro é o que inaugura o realismo no Brasil, então por isso que é uma leitura importante.”

2. Dom Casmurro: “Cuja temática é o possível adultério, a possível traição da Capitu em relação ao seu parceiro, o Bentinho. Então a gente tem ali toda uma situação, toda uma questão de temas, que para o século XIX eram temas tabus, como o adultério. Hoje em dia é um tema que se comenta bastante, mas no século XIX era visto como um tabu, e Machado de Assis já trazia essa temática naquela época.”

3. Memorial de Aires: “Foi o último livro escrito pelo autor, no ano de 1907.”

4. Esaú e Jacó: “Fala sobre a vida de dois irmãos, que eram rivais na política, na situação, na vida.”

5. Quincas Borba: “Que fala, de certa forma, sobre a temática da loucura, da análise psicológica dos personagens.”

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